quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Children of Heaven
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Filme: Kamchatka (2002)
Kamtchaka (2002)
Direção: Marcelo Piñeyro
Umamis: 8
Talvez, o que menos importe em Kamtchaka é a história (ainda que também muito sólida). Kamtchaka é um filme de sensações, de olhares de toques e de silêncios...
Primeiro, como contexto, Kamtchaka é uma península na parte mais à leste da Rússia. O filme conta a história de uma família perseguida durante a ditadura militar nos anos 70.
Com Ricardo Darín (o mesmo do excepcional “El Secreto de sus Ojos” e de “Nueve Reinas”), Kamtchaka é um filme simples e sensível, que me tocou principalmente por pintar também os valores de família independentemente das condições externas e adversas.
O filme ressalta a importância da personalidade dos indivíduos que formam uma família, composta de membros fortes, questionadores e altruístas. Como reagir e que responder quando os filhos fazem perguntas difíceis; como não perder nenhuma oportunidade para passar valores e carinho; como compreender as atitudes de cada um mesmo que distintas do que se esperava ou se gostaria.
O segredo de Kamtchaka está nos detalhes. Nos apelidos que se chamam entre eles. Em como a mãe acaricia o filho pressionando dedo dela pela sua sobrancelha. Como os dedos se tocam quando estão deitados na cama juntos. Os sorrisos “marotos” que brotam espontaneamente (e que carregam o espectador junto) ao observar as novas descobertas dos filhos através de uma janela.
As tomadas de câmera são um espetáculo a parte (as aproximações, os angulo e as perspectivas). A atuação dos dois pequenos não é nada menor. Por último, é um daqueles filmes que vale a pena ficar estático olhando as letrinhas subirem no final e escutando a musica forte (a la Frida) de encerramento.
Uma delícia! Muito Umami.
Cada vez me encanto mais e mais com o cinema Argentino. Corre-se o risco de que se possa dizer que os brasileiros fazem a melhor música do mundo e que ironicamente, nossos vizinhos argentinos, os filmes.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Filme: Hable con Ella (2002)

Filme: Hable con Ella (2002)
Diretor: Pedro Almodóvar
Umamis: 8
Existem filmes que são “filmes-pinturas”.
“Filmes-pinturas” são quadros e não histórias. São filmes que gostamos muito, mas não sabemos bem porque. Agrada, mas não por motivos lógicos ou racionais, e sim por algo mais intangível, mais artístico, menos óbvio (e "facinho facinho" de errar na mão). Chega até a dar um pouco de náusea. Utiliza tintas complexas como música, lágrimas, tomadas, cores, olhares, sofrimento, silêncio. Tem uma batida lenta, mas com pulso firme e marcado.
“Hable con Ella” é um filme-pintura. Não é um “Frida” (na minha opinião o maior expoente da categoria filme-pintura. Genial!) mas é definitivamente um excelente filme-pintura.
As pinceladas de “Hable con Ella” misturam lágrimas, amizade, solidão, tragédia, cinema-mudo, homossexualismo, teatro...
...e de certa maneira presenteia a música brasileira. O que é aquela cena do Caetano cantando Cururrucucú em versão acústica?...
(O video esta no final. Vale a pena dar uma paradinha de 3 minutos no meio do furacão do seu dia, clickar no link acima, e deixar essas imagens te levarem para algum lugar distante...)
Como é belo ver força e feminilidade combinadas na mesma mulher!
Que inspirador e provocante é personagem Marco Zuluaga, um homem que vive fora dos padrões, viaja pelo mundo escrevendo guias alternativas, deixa escorrer lágrimas ao ouvir a música de Caetano, sensibiliza-se no Teatro-musical e permite espaço para uma amizade nada convencional, porém mais verdadeira e descomprometida do que a maioria das amizades que presenciamos ao nosso redor. (surpresa boa, um filme de Almodóvar com um personagem masculino, com a excepcional atuação de Dario Grandinetti, como destaque do elenco.)
Já havia assistido há 6 anos atrás, e foi como assistir pela primeira vez; não perdeu nada de intensidade. É muito bom ver Pedro Almodóvar, ainda no seu melhor momento. Eu gosto bastante dos filmes dele, mas acredito que com o passar do tempo, “se le fue un poco la pelota”. As vezes, o artista ganha fama, exagera no excêntrico e perde a genialidade do início. Acho que isso aconteceu um pouco com ele apesar de um retorno agradável às origens em “Los Abrazos Rotos”.
Enfim, “Hable con Ella” é um caleidoscópio de sensações.
PS1: Vamos ver se re-assisto Frida um dia desses e coloco um review.
PS2: Ontem assisti “Celda 211”. É um “Carandiru” espanhol. Não vale um review dedicado, mas é um filme bastante bom.
domingo, 15 de agosto de 2010
Filme: Caramel (2007) & Viagem: Beirute
Filme: Caramel (Sukkar banat)
Diretora (e principal atriz): Nadine Labaki
Umamis: 7
Sei que as recomendações de filme estão um pouco “Middle Easterns”, mas após assistir o filme Caramel no final de semana passado e ir a Beirute nesse final de semana me sinto quase em dívida para fazer uma revisão tripla: filme-cidade-viagem.
O filme é uma espécie de “Sex-in-the-City” libanês. Com personagens muito bem construídos, o filme retrata a vida de 5 mulheres libanesas na sua vertente mais árabe e menos mediterrânea.
Apesar de tratar de temas femininos universais, o mais impactante é o retrato impecável da mulher árabe com viés liberal. Utilizando ingredientes como amores proibidos, repressão sexual, pressão social para casamento x idade, o filme pinta com maestria a mulher árabe que está na intersecção do liberal e da repressão.
A construção dos personagens é genial:
- Layale: apaixonada por um homem casado que promete que irá abandonar a esposa para ficar com ela (familiar?)
- Nisrine: como está para casar, necessita fazer uma cirurgia para simular que ainda é virgem (seguramente não-familiar...)
- Rima: em processo de descobrir-se lésbica (cada vez mais familiar...)
- Jamale: preocupada por passar dos 30+’s e não conseguir casar (bastante familiar)
- Rose: na batalha entre amor e cuidar de sua irmão mais velha e “louca”
Seis anos de Oriente Médio, permitiram-me conhecer de perto a mulher de Caramel. Uma mulher que na ânsia de combinar força com feminilidade, acaba por perder esse equilíbrio e junto com ele bastante da feminilidade através de uma atitude ríspida, uma maneira agressiva de se comunicar, uma maquiagem exagerada assim como a cor de suas roupas.
Essa mulher – bastante real - está retratada em Caramel.
Viagem: Beirute (Líbano)
Há alguns anos atrás, a CNN colocou no ar um documentário que se intitulava: “Brazil – a country of contrasts”. Apesar de estar de acordo com a qualificação, penso que poucos países são sinônimo de contrates como aqueles situados na transição Ocidente – Oriente (Turquia, Israel e Líbano)
Dono do título de “inventores” do alfabeto (fenícios), o Líbano reúne 3 línguas (Árabe, Francês e Inglês); Islâmicos x Cristãos; Líbano x Síria; Hezbollah, Shiitas x Sunitas, OLP, neve x mar, sheesha x balada... Está bom para contrastes? É um caldeirão pronto para explodir (e a cada par de anos explode).
Beirute é uma cidade bastante difícil de rotular, mas eu tentaria algo como:
“Uma ilha de mediterrâneo em um mar de Islam”.
Beirute é uma espécie de cidade-Phoênix que se reconstrói das cinzas para sempre voltar a oferecer um ambiente descolado e vibrante.
Ao contrário da fama, a gastronomia de Beirute nunca me emocionou em nenhuma das minhas passagens pelo Líbano. No entanto, se há algo que os de libaneses sabem fazer é: night. (alerta, a noite de Beirute é disputada e requer indicação para entrar nos lugares mais cool).
Apesar de ser um long-shot, sob alguns aspectos, também sempre fico com a sensação de que Beirute tem um “que” de São Paulo pequenina: Zero urbanismo, mas com uma colcha de retalhos de estilos escondida detrás do caos visual.
Não vou focar nas recomendações óbvias (cafés na reconstruída downtown, Corniche com os pigeon rocks e a Gruta Jeita).
As três recomendações da viagem são: Baalbek, Behind the Green Door e Sky-bar.
Baalbeck: o site está a 1h45 de Beirute e possui ruínas romanas em incrível estado de preservação com destaque particular para o Templo de Bacco (sim, o mesmo deus do vinho e do bacanal). (Fotos em breve)
Behind the Green Door: Ao final da vibrante Gemmayzeh street, uma mistura de Sub-Astor com Café de La Musique em seus tempos áureos. Freqüência garantida da high-society libanesa (que apesar de o ser-la, não tem nada de “nojentinha” e mantém naturalidade e diversão).
Sky-bar: consiga alguém “in” para reservar com semanas de antecedência. Um bar/disco a céu aberto que lembra o Reina no Bosphorus em Istambul, só que menos turístico e mais exclusivo. A música é impecável e o visual é show. Abaixo, link do vídeo de 30s realizado in-loco com a câmera do telefone (se estiver em público, abaixe o volume do computador).
http://www.youtube.com/watch?v=icmwbxrBd8s
Como as últimas duas recomendações são de night, vale a ressalva de que ultimamente estou bastante "fora do circuito", mas essas duas são digamos "de bom gosto". (apesar de ainda assim demandarem duas semanas de recuperação e repouso :-)
Por fim, mesmo que óbvio pelo post, Beirute fica ainda mais interessante depois de assistir o filme Caramel.
E agora, me despeço no melhor estilo libanês: Bonsoir; تصبح على خير.; Good Night!
