quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
De que lugar?
domingo, 1 de julho de 2012
Amor Romântico x Amor Real
Nesse momento, quase que deixamos de ser donos de nós mesmos...
Quando nos apaixonamos, nos sentimos completos, como se a nossa parte faltante tivesse retornado. Nos sentimos especiais, como se tivéssemos sido erguidos do mundo ordinário. A vida fica repleta de intensidade, glória e êxtase.
É uma experiência de transcendência quase “religiosa e espiritual”.
E é exatamente aí onde reside um enorme perigo. O Amor Romântico é de fato uma troca de valores. É o desejo de experimentarmos nossa alma através de outra pessoa. Aprisionamos nossa alma no outro.
Nos tornamos completamente ocupados em projetar nossa alma na outra pessoa e nos esquecemos de valorar a pessoa que realmente está ao nosso lado. Colocamos no outro, toda nossa demanda “egoísta” de perfeição, de significado, de nos sentirmos especiais como seres de um mundo não-ordinário e não-terreno.
Cometemos um dos maiores pecados. O pecado contra a consciência. Enxergamos o parceiro como nossa projeção e ilusão e não como quem ele realmente é.
No entanto, manter esse estado de romance e êxtase consome muita energia. É um equilibrio instável. Invariavelmente, mais cedo ou mais tarde, nos despertamos no jardim do ego. Silencia-se a música e paramos de bailar a dança da Ilusão. A poção mágica expira.
E esse é um momento crucial. Abre-se uma grande oportunidade na qual a maioria de nós falha. Nesse momento temos a oportunidade de regressar a Anima ao local que ela sempre deveria haver estado. Trazer de volta a campana sagrada à catedral. Temos a oportunidade de declararmos morte ao ego e passar a valorar a pessoa que está conosco da maneira como ela realmente é, ordinária, com seus defeitos e suas qualidades.
A lei é o Amor Romântico. Nada é mais importante do que “estar in love”. Ele é o certo. Ele é o bom. Nossa cultura nos diz que ele é que nos faz sentir especiais e diferente dos demais. Lutar por ele é a “única coisa que faz sentido”.
O Amor Romântico tem essa propriedade de moralidade reversa que nos permite sentir que fazemos o correto mesmo quando fazemos o equivocado. Nesse momento, o sofrimento inunda nossas vidas e não queremos nem morrer, nem viver...nos tornamos seres moribundos; seres mortos-vivos.
No entanto, para alguns poucos, essa é a oportunidade de graduar o Amor Romântico em direção a um relacionamento verdadeiro. A oportunidade de transmutar o Amor Romântico em Amor Real.
Para viver o Amor Real, devemos retornar nossa alma para nosso mundo interior e compreender que existem coisas que só podem ser vividas em nosso interior, em nossa espiritualidade e não projetadas ao mundo exterior.
Retornar a alma à catedral, é um ato de sacrifício. Significa sacrificar algo no nível do ego. Sacrificar algo de êxtase, de perfeição, de glória. E para o ego, ele sente como se fosse uma morte. Requer-se humildade do ego para abrir mão dessa infinitização e inflação do amor.
Nesse momento, abrem-se as portas para o Amor Real. E aí, elas estão escancaradamente abertas.
Mas o que é então o Amor Real?
Amor Real é como cultivar um Bonsai. Requer paciência, tempo e dedicação.
É um ato de humildade, muitas vezes não tão extasiante como o Amor Romântico. Demanda conexão para trazer o Amor de volta a terra. Carrega nossa vontade genuína de dividir tarefas mundanas e ordinárias. Encontrar significado no simples. Deixar de demandar eternamente o drama de intensidade extraordinária em tudo, tão comum no Amor Romântico.
O Amor Real está preocupado em fazer o outro feliz; e não a esperar que o outro seja responsável pela nossa felicidade. Ele está dirigido a outra pessoa e não ao próprio ego.
Quando amamos verdadeiramente, sentimos que não sou EU quem AMA, mas o AMOR FLUI através de mim. Não é um verbo, não é um ato, mas sim um estado de sentimento.
Amor é uma força que emana de nós. É relação, é conexão com o parceiro, uma identificação com a outra pessoa que simplesmente flui de nós e através de nós.
Não demanda esforço. Não demanda atos. “Love, and keep silent”.
Nesse amor, não existe esse estranho paradoxo de desejar que o outro sofra se não estiver ao meu lado. No Amor verdadeiro, desejamos que o outro esteja feliz e em paz seja qual for o caminho que decida seguir na sua vida.
No Amor Real amamos por completo. Não apenas as qualidades. Não amamos menos devido aos defeitos do outro. Amamos por causa das qualidades E dos defeitos do outro. Deixamos a tendência natural de amplificar os defeitos esquecendo das qualidades; passamos a aceitar e "rir" dos defeitos por valorizar as qualidades únicas e raras do companheiro.
O Amor Real é uma daquelas poderosas forças que tem a capacidade de transformar o ego. Tem o poder que é capaz de acordar o ego para a existência de algo mais além. O Amor, por natureza, é o exato oposto do egocentrismo.
Para ser capaz de experimentar o Amor Real, é preciso se tornar maduro quanto às expectativas reais em relação a outra pessoa. Significa aceitar a responsabilidade pela própria felicidade ou infelicidade e não esperar que a outra pessoa nos faça feliz, nem culpar o outro pelos nossos mau-humores e frustrações.
O Amor Real é inseparável de comprometimento, da estabilidade, da conexão e da amizade. A essência do Amor Real, não é usar o outro para nos fazer feliz, mas servir e valorar a pessoa que amamos. E nesse momento descobrimos, para nossa surpresa, que o que mais necessitamos na vida não é tanto ser amados, mas simplesmente AMAR.
sábado, 29 de outubro de 2011
Risotto de Zucchini al "pata negra"
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Iceland. Shhhhh.....
- Dirigir “lost in iceland”: Apesar de espetaculares, nenhum dos highlights ou dos pontos turísticos é a atividade mais legal na Islândia. Surpreendentemente, simplesmente dirigir, perdido no meio do nada, é de longe o mais cool na Islândia. Islândia é o conjunto e não um ponto. Durante toda volta na ilha, você dirige praticamente sozinho. Perdi o controle do carro em vários momentos, pois meus olhos se perdiam nas paisagens. Acredito que dirigir só perca sua posição no ranking para ficar lendo, cozinhando ou sem fazer nada, por dia inteiro em um recanto perdido no meio do nada...(mas esse vai ficar para ser testado numa segunda vez)
- Almoçar isolado no meio do nada: durante o trajeto, existem vários pontos sem ninguém, com uma mesa e cadeiras de madeira, no meio de montanhas, lagos e fiordes. Pode-se parar o carro, descer, almoçar circundado de um entorno de tirar o fôlego.
- Música: a música na Islândia é outra grata surpresa, com influência de Norah Jones, Jack Jonson, misturado com Pink Floyd e Loreena Mckennitt eles fazem uma música alternativa e meio experimental, por vezes underground mas de muita muita qualidade. A música do vídeo acima é um exemplo. Recomendo Sin Fang, Snori Helgason e Rokkurro. Na rua da igreja em Reikjavik tem uma loja de CDs amarela chamada 12 Tónar que é muito bacana; tem uma engenhoca de fazer café de 19..e lá vai bolinha. A música ao vivo nos bares locais também é de qualidade.
- Highlights favoritos: Golden Circle, Jökulsárlón Glacier Lagoon, a maioria das cachoeiras e especialmente Dettifoss, a região dos fiordes à leste, Námaskarð, as vistas do alto de Vik e Snæfellsnes. Fotos, no meu FB link.
- Cobains: As ruas de Reykjavik estão cheias de Kurt Cobains meio que “roceiros”. É um monte de jovem loiro underground, com franjas a la Smash, e calças caindo pelos joelhos. Engraçado.
- Self-service: Os “icelandicos” (como chamo carinhosamente os islandeses) são obcecados pelo self-service. Além dos esperados self-service nos postos de gasolina e empacotando no supermercado, eles levam o conceito mais além: carregue você mesmo pelas escadas suas malas até o terceiro andar do hotel, pegue sua comida você mesmo, dentre muitos outros. E não é por mal, dá a impressão que os “icelandicos” vêem o excesso de “servencialismo” como algo desigual e não desejado na sociedade. É o socialismo sem ser imposto. Assim, se você vem em um restaurante, eu te dou comida. Se vem em um hotel, te dou um quarto. Nada mais. Apesar de não ser nosso costume, achei questionador.
- Honestidade e civilidade: Os “icelandicos” são bastante civilizados, austeros e civilizados. Ainda mantendo um saudável are de roceiro de saudade pequena, as coisas funcionam e se pode confiar 100%. Por exemplo, percebi que esqueci meu cartão de crédito em um restaurante e só liguei para lá para eles cortarem o cartão horas e horas depois. Sem preocupação. Já nos bares de um pais verde e amarelo...
- Free Wifi: Quase todos os hotéis e restaurantes/cafés tem Free Wifi e normalmente com boa velocidade. Not bad.
- Custo: Fui imaginando que seria barato depois que o país quebrou em 2008, mas o cartão de crédito ficou dodói... Hotel e comida tem custos bem elevados...
- Hotéis: Os hotéis na Islândia estão divididos em 2 grupos: os que tem água com cheiro de ovo podre e os que não. 90% deles são os com cheiro :(. Extremamente desagradável. Nunca se tem a sensação de real limpeza. Os destaques ficam para o Hotel Reykjavik Centrum (bem melhor que o de mesmo preço Reykjavik Residence Apartment) e para o simpático Vogafjos-Guesthouse Lodging na região de Myvatn, que possui uma área de café da manhã envidraçada, com vistas para o lago e para as vaquinhas da fazenda do hotel. Se for ao passeio de baleias em Husavik, não ficar em hipótese alguma no Fosshotel Husavik Lodging (apesar de sua boa colocação no tripadvisor)
- Moscas em Myvatn: pelamordedeus...essa sim foi uma surpresa negativa! Apesar do lugar ser maravilhoso, pouco pude desfrutar dada a quantidade infinita de moscas. Alguns mais avisados passeavam usando um chapéu que tinha uma redinha em volta do rosto. Mandatório, sem essa redinha, pouco se desfruta da beleza da região próxima ao lago.
- Comida local: (ler em “Gastronomia”)
- Highlights menos interessantes: Blue Lagoon (é basicamente um piscinão de Itaquera repleto de Corinthiano loiro). Dimmuborgir, Hraunfossar também são médios. Alguns me matariam, mas as baleias em Husavik são “nice to have” porém dispensáveis.
- Comida local: Tenho por teoria que “loiro + olho azul + frio = Comida Ruim”. Bons exemplos dessa teoria são Rússia, Europa do Leste e Alemanha. A Islândia não é diferente e é bem-vinda ao grupo com louvor. A comida local é baseada em peixes (muito salmão defumado) e também inclui baleia, puffin e o absolutamente intragável tubarão (a não ser que você pense que pode gostar de uma comida com forte sabor de amoníaco). Os “Icelandicos” adoram comer pepino, pimentão e ovo cozido frio no café da manhã. Lamentável.
- Baleia: A baleia quando bem preparada é bastante saborosa. É vermelha escura, se parece mais com carne do que com peixe, mas com um sabor mais leve. Tem um boteco em Reikjavik chamado Islenski Barinn que prepara uma entrada de baleia deliciosa.
- Hot Dogs: OK, eu não sou lá muito chegado em cachorro quente. Mas os hot dogs na Islândia são muito saborosos. É um hot dog simplão (não aquela mandala que comemos no Brasil), com uma salsicha de carneiro, e um molho local que acredito vai bacon ou algo defumado. Impressive. Em Reykjavik, tem um local especial para comê-los: uma barraquinha vermelha, entre o Hotel Radisson Blu e o escritório do Icelandic Excursions. Está sempre com fila, e ficou tão famoso que foi o primeiro lugar que o Bill Clinton visitou quando chegou em Reykjavik (tem uma foto dele comendo o hot dog dentro do Kiosk)
- Cerveja: Curiosamente só tomei cerveja estupidamente gelada em 3 países: chopp no Brasil, Imperial em Portugal e Draught beer no Islanski Barinn na Islândia (onde a caneca vem completamente coberta de gelo).
- Restaurantes: os destaques vão para Fish Company, Fish Market e claramente meu boteco preferido, o Islanski Barinn. Evitar o número 1 do tripadvisor Harry’s (afastado, ambiente pobre e insípido). Ah! O único restaurante de tapas/art-gallery na região dos fiordes também é interessante.
Ficou Faltando :(
- Northern lights: a afamada aurora borealis ocorre com mais freqüência no inverno bravo.
- Puffins: uma mistura de pássaro com pingüim (bem simpático) que deixou a ilha 2 semanas antes d’eu chegar e não me avisou.
- Vulcão com lava em atividade: o último que tinha lava laranja e dava pra ir de helicóptero já havia apagado...
- Askja: Uma cratera com spring water como a blue lagoon
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Tagliolini al Nero di Seppia con Asparagi e Scampi
Tagliolini al Nero di Seppia con Asparagi e Scampi!
Delicioso e cai bem levinho.
Sem mais delongas, 'bora pros ingredientes:
- Óbvio, o tagliolini já com nero di seppia
- Óleo de oliva virgem (eu coloco bastante)
- Camarões tigre ou langostinos (não vale congelado, já que vai fazer, faz direito e compra fresco do dia)
- Aspargos (só a parte bem da ponta)
- Chalote triturada
- Tomate em cubos
- Tomates em metades "estourados"
- Alho triturado
- Alhos em finas fatias
- Cebola
- Sal marinho
- Pinoli tostado (em casa)
- Alecrim (fresh)
- Basílico (fresh)
- Salsinha (um pouquinho)
Como sempre, as quantidades, tempos, etc, são óbvios, adaptáveis e vão acontecendo...
Ah, o parmesão ao lado foi pura força do hábito....é claro que não é para colocar que destrói o sabor da pasta.
mmmmm......
sábado, 20 de agosto de 2011
Risotto trufado com Bock!
Comecei a preparar um risotto trufado e na hora H não tinha vinho branco.
As vezes, a necessidade é o motor da criatividade...
Olhei para geladeira e vi duas garrafas de cerveja bock (não é bem bock, é aquela dourada bem escura).
Ideia: substituir o vinho pela cerveja.
E essa foi a novidade (pelo menos para mim, pq todo mundo já deve saber; em todo caso...): Ficou espetacular! (arrisco dizer que melhor que o vinho branco para o meu paladar)
Alguém pode perguntar: cerveja bock no Kuwait? Sim e não é do mercado negro! A cerveja usada foi uma cerveja caseira, feita com fermentação do malte em um equipamento "rocambolesco". É mais um toque original pro risotto...
Bom, os ingredientes são:
1) Trufas / Shiitake:
- Trufas e/ou shiitake (eu usei os 2)
- Aspargos verdes
- Cebola
- Azeite trufado bianco (comprado no Dean & Deluca, que se não abrir até eu voltar para SP é capaz d'eu abrir uma filial)
- Manteiga
2) Risotto:
- Arroz carnaroli (também do Deluca)
- CERVEJA BOCK (ou tipo da Serramalte)
- Cebola
- Broth de vegetais
- Manteiga
- Sal trufado (comprado em Lucca)
3) No final:
- Mistura tudo
- Adiciona um pouquinho de cream
- Adiciona parmesão
- Ah, eu deixo em fogo bem baixo por muito tempo e no final aumento bastante a T para ficar bem quente (hoje não, mas as vezes esquento o prato também para manter a temperatura)
- E voila: Prato e mesa
Quantidades? Como "bom" engenheiro não tem a mais mínima ideia. Vou colocando bem pouco de cada coisa e vou provando até a contribuição daquele ingrediente se fazer presente. Parece caótico, mas funciona...
sábado, 25 de junho de 2011
Sobre a Brevidade da Vida (Sêneca)
sábado, 19 de março de 2011
Paloma Negra.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Children of Heaven
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Cinemagic, Sound of Music & Salzburg
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
O sorriso Thai
Uma coisa me chama a atenção no Kuwait: as crianças não sorriem. Nem mesmo os bebês sorriem! Sabe aquele sorriso casual e espontâneo dos bebes e das crianças, quando alguém sorri para eles ou faz alguma bobagem? Então, esse sorriso não existe no Kuwait.
Essa semana estive pela quinta vez na Tailândia. A Tailândia é um pais que me encanta....é um país mágico. De certa maneira, a Tailândia me lembra em muitas coisas o Brasil...uma espécie de Brasil sem algumas partes "menos boas", como: problemas de segurança, levar vantagem e outras. Mas é inegável que existem muitas similaridades: clima tropical, praias exuberantes, frutas exóticas, povo relaxado e feliz. Até Bangkok se parece a uma espécie de São Paulo. Inclusive o caminho para a praia remete surpreendentemente ao look and feel da Pedro Taxi.
Mas há algo único e especial na Tailândia: o sorriso Thai. Talvez a mais marcante "impressão digital" e expressão desse povo.
É curioso como um autêntico sorriso anda escasso nos dias de hoje... Não é que não existam sorrisos. Temos muitos sorrisos: o sorriso profissional (de recepcionista de hotel londrino), o sorriso político, o sorriso de vendedor, o sorriso do comediante, o sorriso de nervoso, o sorriso feakout, o sorriso para ver e ser visto, o sorriso para “mostrar que sou bacana”, o sorriso embriagado dos botecos. Temos até o falso sorriso para os inimigos. Mas que pouquinho sorriso com profundidade...
O sorriso Thai é autêntico, genuíno, espontâneo, “de verdade”. Um sorriso que vem de dentro da alma. Um sorriso que emana paz e equilíbrio. Um sorriso de entrega. Um sorriso de celebração à vida!!! Um sorriso de gratidão. O sorriso Thai alegra quem o recebe, mas o tailandês sabe que mais beneficia quem o oferece. O sorriso Thai nos recorda que o segredo da vida encontra-se nas coisas mais simples. É um sorriso que quase fala... como se dissesse: “Que gostoso poder te encontrar aqui e agora. Obrigado pela oportunidade de trocar um sorriso com você.”
O sorriso Thai parece aquele sorriso que escapa espontaneamente quando encontramos um bebê de um amigo. Ou quando ajudamos um idoso na rua. É um sorriso que afaga o coração. Que pega nosso coração, e o coloca a repousar em um berço com um cobertor bem quentinho e um travesseiro confortável. É isso, o sorriso Thai é um chamego no coração.
E que bem faz esse sorrir. Todos os dias pela manhã, eu saía para correr em uma pacata zona da cidade de Hua Hin. Como de costume, me preparava para suportar mentalmente os 10, 12 até 15km que pretendia cobrir debaixo do sol de 40C. Preparava o GPS, o iPod com música brasileira, "toquinha anti-suor" e começava o percurso. Mas logo nos primeiros passos, ao cruzar com o primeiro Thai, este, me olharia profunda e carinhosamente nos olhos e abriria o autêntico e verdadeiro sorriso Thai. Isso aconteceria no primeiro minuto; no segundo; no terceiro; e seguiria minuto a minuto durante todo o percurso. Até os estrangeiros que vivem aí também já internalizaram esse sorriso mágico.
O conforto desse sorriso, fazia com que eu recebesse uma espécie de boost de energia e prazer para continuar correndo no meu ritmo. Era como se pudesse acelerar mais a cada passada. E de sorriso em sorriso, o trajeto passava sem que eu quase o sentisse... Não sentia o esforço físico, mas sim, sentia no coração uma mistura de alegria e nostalgia. Nostalgia de viver em uma sociedade mais feliz, menos plástica e artificial, mais de verdade, mais pé-no-chão e voltada ao que deveria ser mais prioritário na vida.
Por traz do marcante sorriso Thai, existe uma sociedade que cultiva uma cultura saudável. Uma sociedade que acima de tudo busca o equilíbrio. Equilíbrio em todas as esferas: física, mental, espiritual e social. Uma cultura que ainda consegue ficar consideravelmente imune à programação que nos é imposta no ocidente e que foca no equilíbrio através da meditação, saúde física, alimentação saudável, consciência e responsabilidade na qualidade dos atos de cada individuo e na coletividade sem negligenciar a individualidade.
Agora estou no avião. Deixo a Tailândia feliz, cheio de vitalidade, paz e contagiado pelo calor do seu sorriso.
A Tailândia é um encanto de país. Certamente não será a última, das muitas visitas futuras que pretendo fazer a esse país. Nem que for para sentir o conforto e a paz desse sorriso.
Um sorriso cheio de Umami para você. Tenha um excelente dia!
Sawadee krap
sábado, 16 de outubro de 2010
Música: When did you leave Heaven (Lisa Ekdahl)
Lisa Ekdahl!
Enquanto vou cozinhando o próximo Umami reflexivo (acho que ainda vai me levar um tempinho, mas “tá ficando com boa pinta”), aproveito para fechar o Triunvirato do meu atual playlist matinal.
A pitada de Lisa Ekdahl mesclou bem com o que já estava lá de Norah Jones e Carla Bruni.
Apesar da maioria do seu repertório estar em sueco (confesso que ainda precisaria digerir um pouco mais o efeito do “rrrrrrrrr” ), são suas canções em inglês que realmente me agradam.
“When did you leave Heaven” é uma das favoritas, apesar de uma vez mais a disputa ser acirradíssima.
O clip também é bem característico e remonta ao obscuro e branco-e-preto dos filmes suecos.
Bom, está desvelado o terceiro ingrediente dessa deliciosa paella musical.
E, como o ambiente anda propício às misturas, encerro mesclando uma frase que apesar de não ter nada a ver com o post, eu lí hoje pela manhã e achei muito intrigante (e verdadeira):
“Somos o que fazemos, não o que pensamos nem o que sentimos.”
Food for thought...
(Atualizado em 18-10-2010)
Escutando o playlist hoje pela manhã, achei injusto não incluir também it's oh so quite. É muito difícil nomear qual é a melhor entre as duas.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Filme: Kamchatka (2002)
Kamtchaka (2002)
Direção: Marcelo Piñeyro
Umamis: 8
Talvez, o que menos importe em Kamtchaka é a história (ainda que também muito sólida). Kamtchaka é um filme de sensações, de olhares de toques e de silêncios...
Primeiro, como contexto, Kamtchaka é uma península na parte mais à leste da Rússia. O filme conta a história de uma família perseguida durante a ditadura militar nos anos 70.
Com Ricardo Darín (o mesmo do excepcional “El Secreto de sus Ojos” e de “Nueve Reinas”), Kamtchaka é um filme simples e sensível, que me tocou principalmente por pintar também os valores de família independentemente das condições externas e adversas.
O filme ressalta a importância da personalidade dos indivíduos que formam uma família, composta de membros fortes, questionadores e altruístas. Como reagir e que responder quando os filhos fazem perguntas difíceis; como não perder nenhuma oportunidade para passar valores e carinho; como compreender as atitudes de cada um mesmo que distintas do que se esperava ou se gostaria.
O segredo de Kamtchaka está nos detalhes. Nos apelidos que se chamam entre eles. Em como a mãe acaricia o filho pressionando dedo dela pela sua sobrancelha. Como os dedos se tocam quando estão deitados na cama juntos. Os sorrisos “marotos” que brotam espontaneamente (e que carregam o espectador junto) ao observar as novas descobertas dos filhos através de uma janela.
As tomadas de câmera são um espetáculo a parte (as aproximações, os angulo e as perspectivas). A atuação dos dois pequenos não é nada menor. Por último, é um daqueles filmes que vale a pena ficar estático olhando as letrinhas subirem no final e escutando a musica forte (a la Frida) de encerramento.
Uma delícia! Muito Umami.
Cada vez me encanto mais e mais com o cinema Argentino. Corre-se o risco de que se possa dizer que os brasileiros fazem a melhor música do mundo e que ironicamente, nossos vizinhos argentinos, os filmes.
Música: Quelqu'un m'a dit
Conforme prometido, segue mais uma candidata à campeã de +Umami do meu atual playlist matinal.
Às vezes, a música que nos introduz a um novo artista é a sua música mais popular. Porém, depois de conhecermos mais profundamente seu trabalho, terminamos por não achar a "tal" canção uma das melhores, chegando até a parecer a mais comercial.
Quelqu'un m'a dit foi a primeira música da Carla Bruni que escutei, e até hoje ela se mantém como uma das minhas prediletas.
No entanto, eu só conhecia a versão de estúdio. Buscando o vídeo no Youtube, encontrei essa versão pseudo-estúdio-modificada que está linda. A preparação inicial da Carla, nos instantes antes de começar a cantar também ficou bem natural.
Apesar da letra bonita, é a sonoridade que faz dessa música uma canção tão especial!
PS: Essa semana incluí mais um artista no Playlist Norah+Carla que achei que deu boa mistura. Fica o suspense para um blog futuro...












